The 27s The Greatest Myth of Rock’n’Roll
(Por Segalstad e Hunter)


O que músicos como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison (The Doors), Robert Johnson, Brian Jones (Rolling Stones), Gary Thain (Uriah Heep) e Kurt Cobain (Nirvana) têm em comum? Todos fazem parte do famoso, polêmico, controverso e mítico “Clube dos 27”, como ficou conhecido. São músicos que atingiram enorme fama internacional, e pelos mais diversos motivos vieram a falecer no auge de tal fama. Os autores Segalstad e Hunter montaram a sua fascinante obra em torno desse mito, e acabaram por criar uma pequena obra-prima.

O espaço nas páginas do livro é dividido pelo trabalho de ambos, num balanço perfeito. O texto complementa as ilustrações, e vice-versa, de tal forma que é quase impossível imaginar o que veio antes. A narrativa nas mais de 300 páginas é apresentada de formal cronológica, mas sem pecar por formalismo exacerbado. O uso de recursos como notas de rodapé ou na lateral das páginas é bastante corriqueiro, ampliando os horizontes da obra.

Embora haja tal linearidade de narração, com a jornada iniciando-se ao final do século XIX e finalizando na virada do século XX para o XXI, alguns desvios são tomados no decorrer da trajetória, com interessantes e pertinentes digressões (por mais contraditório que possa parecer, a princípio), sobre vários temas abordados em enfoques afins: numerologia, astrologia, filosofia, psicologia, religiões, desenvolvimento e uso de drogas alucinógenas, enfim, tudo o que veio à cabeça dos autores, sem preconceitos. E o melhor, de uma forma leve, fácil de ler, que se não vai revolucionar a sua vida irá ao menos enriquecê-la.

Tão importante no trabalho ora resenhado quanto os textos de Segalstad são as impressionantes ilustrações de Hunter, que os complementam. Há poucas fotos reais nas páginas do livro (mesmo assim, trabalhadas artisticamente), sendo a maior parte ilustrações tanto das personalidades retratadas quanto de detalhes das estórias contadas. O estilo de Hunter tem um quê de quadrinhos adultos, captando de forma perfeita os sentimentos expressos pelas palavras. Agonia, felicidade e tristeza, alucinações, glória e derrocada, fama e ostracismo, está tudo lá, na forma de desenhos.


Os textos em alguns momentos quase passam a um segundo plano. Várias técnicas são empregadas, com a repetição e/ou alternância de elementos, cores em abundância, ou não, elementos minimalistas, personagens em diferentes planos. O “espírito” de cada época acaba sendo passado ao leitor tanto pelo próprio texto, quanto pelos elementos visuais. Todo este trabalho primoroso é ainda por cima emoldurado por uma qualidade absolutamente impecável de impressão, em papel couché de primeira categoria, com a bela arte da capa incluindo elementos brilhantes e foscos. O cuidado com os detalhes inclui ainda marcador de livro e cartão de apresentação, seguindo o mesmo padrão do livro. Definitivamente, um item de colecionador.

O habitual texto da contracapa aqui é substituído por uma singela frase, que parece resumir tudo: “It began with the blues...”. Recomendação: não use este livro como objeto de decoração na mesa de centro de sua sala de estar, pois seus eventuais convidados poderão ficar tão “vidrados” nas narrativas e nas ilustrações, que o aspecto social da visita poderá ir por água abaixo...

Mas afinal, o que há de tão místico (ou mítico) no número 27? Seria apenas uma coincidência músicos (e artistas em geral) morrerem nessa idade, talvez por ser aproximadamente o tempo em que o organismo humano leva para “cobrar a conta” dos abusos com substâncias e outros excessos decorrentes da fama precoce? Ou haveria algo mais por trás disso? Leia e tire suas próprias conclusões clicando (aqui...)

(Por Rodrigo Werneck)